Entre 2010 e 2013 a Almargem monitorizou as comunidades de avifauna e vegetação dulceaquícola da Lagoa dos Salgados. Este trabalho surgiu na sequência da construção da ETAR Poente de Albufeira, tendo o projeto sido proposto pelas Águas do Algarve. Embora sem qualquer proteção legal nacional ou internacional, a Lagoa dos Salgados foi considerada como Área Importante para as Aves (IBA), sítio com significado internacional para a conservação das aves à escala global. Este sistema lagunar alberga mais de 150 espécies de aves destacando-se as populações de caimão (Porphyrio porphyrio) e perna-longa (Himantopus himantopus). É ainda o único local nacional com registo de nidificação de pêrra (Aythya nyroca).
Caracterização do local
O programa de monitorização de ecologia efectuado no âmbito da DIA, da ETAR Poente de Albufeira, a qual servirá as populações dos concelhos de Albufeira, Silves e Lagoa. A ETAR Poente de Albufeira localiza-se no concelho de Albufeira, Freguesia da Guia, perto da quinta da Saudade e da Aldeia de Montes Juntos, na zona limite do concelho (fronteira com Silves) a cerca de 3,5 km a Norte da Costa e entrou em funcionamento em Agosto de 2009. Esta ETAR descarrega as águas residuais tratadas para a Ribeira de Espiche, que desagua na Lagoa dos Salgados.
A Lagoa dos Salgados faz parte de um conjunto de lagoas de pequena dimensão do litoral algarvio, correspondendo ao estado terminal de colmatação do sistema estuarino/lagunar da Ribeira de Espiche. Esta lagoa está classificada como Zona Sensível (Decreto-Lei n.º 152/97 de 19 de Junho) e constitui um sistema de transição entre a zona costeira e a zona terrestre, com características de lagoa interior, ocupando uma enseada de depósitos aluvionares salinizados.
Esta zona húmida está localizada entre os limites dos concelhos de Albufeira e Silves e está instalada numa pequena depressão, com cerca de 1.5Km2. A lagoa é mantida isolada do meio marinho devido à presença de uma barreira arenosa contínua, que funciona como estrutura de contenção do caudal fluvial. Em regime natural, a comunicação com o mar estabelece-se quando o plano de água no interior da lagoa atinge o topo da barreira, abrindo uma barra e escoando o volume de água acumulado na depressão, libertando um caudal de cerca de 2.5Mm3.
Avifauna
Apesar de ser uma zona húmida artificializada, a Lagoa dos Salgados assume um papel importante do ponto de vista paisagista, recreativo e ecológico. Está inserida num dos poucos troços de acumulação de areias do barlavento, onde podemos encontrar um significativo campo de "dunas cinzentas", ou seja, dunas fixas com vegetação herbácea de Crucianellion maritimae, habitat de conservação prioritária segundo a Directiva 92/43/CEE, do Conselho, de 21 de Maio (Directiva Habitats). Relativamente à avifauna encontram-se no local 39 espécies classificadas no Anexo A-I da Directiva 79/409/CEE, do Conselho, de 21 de Abril (Directiva Aves), como espécies de interesse comunitário (por exemplo o perna-longa - Himantopus himantopus, o guarda-rios - Alcedo atthis, a calhandrinha - Calandrella brachydactyla, o alcaravão - Burhinus oedicnemus, o tartaranhão-ruivo-dos-pauis - Circus aeruginosus, etc.), tendo duas delas estatuto de conservação prioritário (o camão - Porphyrio porphyrio e o zarro-castanho – Aythya nyroca).
A zona alberga uma valiosa comunidade de ardeídeos representada por sete espécies, das quais três são nidificantes (garça-vermelha, garçote e garça-branca), duas migradoras (goraz e papa-ratos) e duas tipicamente invernantes (garça-real e carraceiro). É o único local nacional com registo de nidificação de pêrra. Durante os períodos migratórios, a zona revela-se de grande valor para ciconiformes, especialmente para o colhereiro, para várias espécies de limícolas e também passeriformes, em especial andorinhas que aqui se alimentam em bandos com milhares de indivíduos.
Flora
A Lagoa dos Salgados em situação normal de barra fechada, possui características salobras, com valores de 8 a 10 partes por mil no Inverno, permitindo classificar a água como mesohalina (FERNANDES, J. et al. 2001 in NEVES, 1995). Em situação de barra aberta é normal que a salinidade suba, devido à significativa entrada de água do mar. Em zonas mais confinadas da lagoa, à medida que nos afastamos do mar, o sistema lagunar vai-se tornando cada vez mais dulçaquícola, assim como no troço terminal da Ribeira de Espiche a salinidade baixa (FERNANDES, J. et al. 2001 in PINTO et al. 2001 & NEVES, 1995).
Classificada como Zona Sensível pelo Decreto-Lei n.º 152/97 de 19 de Junho, a Lagoa dos Salgados constitui um sistema de transição entre a zona costeira e terrestre, com características de lagoa interior, ocupando uma enseada de depósitos aluvionares salinizados.
A lagoa dos salgados encontra-se inserida num dos poucos troços de acumulação de areia do barlavento, onde podemos encontrar um significativo campo de “Dunas cinzentas” com vegetação da Crucianellion maritimae, habitat de conservação prioritária segundo a Directiva 92/43/CEE, do Concelho de 21 de Maio (IPA, 2006).
As comunidades vegetais existentes na Lagoa são de um modo geral, maioritariamente comunidades com características halófilas de Juncais e Caniçais, as quais funcionam como zonas de refúgio, alimento ou nidificação para muitas espécies faunísticas nela presentes.
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